Eric Reed
The Dancing Monk
CD Savant 2011

Eric Reed (p)
Ben Wolfe (b)
McClenty Hunter (bat)

A primeira audição deste disco remeteu-me de imediato para a exploração que Bud Powell fez da música de Monk. Sempre tive algum desagrado para com esse disco. Sendo Bud Powell um virtuoso, como Thelonious Monk aliás nunca foi, a música de Monk tocada pelo outro mestre do piano bop sempre me pareceu inadequadamente rendilhada; com excesso de notas. O meu entendimento é que Bud Powell tocou as composições de Monk e não a sua música. Esta é também a forma como a maior parte dos pianistas enfrenta a música de Monk, do meu ponto de vista lamentavelmente. É claro que esta é uma possibilidade, mas ela desvirtua o espírito de Monk.
Monk foi um dos mais singulares músicos de Jazz de todos os tempos, um génio cuja autoridade atravessou incólume os últimos setenta anos. O discurso dissonante, «imperfeito», anguloso, o seu conceito de composição, verdadeiramente subversivo, torna-o pouco acessível, mesmo para os mais experimentados músicos de Jazz.
O estilo sofisticado de Eric Reed pouco tem a ver de facto com as formas dissonantes de Monk, como o virtuoso Eric Reed tem pouco a ver com o económico Thelonious Monk, e o elegante Reed está nos antípodas do stride Monk.
Posto isto, a abordagem de Reed à música de Thelonious Monk foi diferente nos diferentes temas. Se em "Blue Monk" ou "The Dancing Monk" ele foi anguloso (e mais parco de notas e mais próximo da forma de tocar de Monk), "Ask Me Now", "Ruby My Dear" e "Ugly Beauty" foram excessivamente arrebicados. Mas no clássico "Round Midnight", em "Reflections" ou "Light Blue", há algo mais de que apenas os grandes pianistas são capazes. Reed não quis imitar Monk, mas também não quis romper com as suas formas. Ainda assim em "Round Midnight", por exemplo, as mãos de Eric Reed pensam realmente as melodias, e apenas podemos lamentar que a inspiração o não tenha acompanhado dessa mesma forma ao longo de todo o disco.
Secção rítmica, baixo e bateria, irrepreensíveis, mas discretos, a revelar o melhor do pianista.
Nenhuma das minhas observações deve questionar os méritos do piano sofisticado de Reed; apenas eu creio que ele poderia ter ido mais além. The Dancing Monk é um disco saboroso, que revela que Eric Reed pensa a música. Aguardam-se com expectativa as anunciadas reinvestidas à música do grande Thelonious Monk.